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 Poesias:

Adélia Prado

O sempre amor

 

Amor é a coisa mais alegre

amor é a coisa mais triste

amor é coisa que mais quero.

Por causa dele falo palavras como lanças.

Amor é a coisa mais alegre

amor é a coisa mais triste

amor é coisa que mais quero.

Por causa dele podem entalhar-me,

Sou de pedra sabão.

Alegre ou triste,

amor é coisa que mais quero.

 

(Adélia Prado, 1991, Poesia Reunida, p. 84).

 

 

Chorinho doce

 

Eu já tive e perdi

uma casa,

um jardim,

uma soleira,

uma porta,

um caixão de janela com um perfil.

Eu sabia uma modinha e não sei mais.

Quando a vida dá folga, pego a querer

a soleira,

o portal,

o jardim mais a casa,

o caixão de janela e aquele rosto de banda.

Tudo impossível,

tudo de outro dono,

tudo de tempo e vento.

Então me dá choro, horas e horas,

o coração amolecido como um figo na calda.

 

(Adélia Prado, 1991, Poesia Reunida, p. 105)

 

 

 

 

Ensinamento

 

Minha mãe achava estudo

A coisa mais fina do mundo.

Não é.

A coisa mais fina do mundo é o sentimento.

Aquele dia e noite, o pai fazendo serão,

Ela falou comigo:

‘Coitado, até essa hora no serviço pesado’.

Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.

Não me falou em amor.

Essa palavra de luxo.

 

(Adélia Prado, 1991, Poesia Reunida p. 116).

 

 

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