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 Estágio FAC III:

Relatório de Entrevista

             A fim de investigar como é a atuação do psicólogo com pacientes oncológicos de um hospital, foi realizada uma entrevista com Ana Rita Ribeiro dos Santos – psicóloga responsável pelo Serviço de Oncologia Pediátrica da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, o qual atende pacientes de 0 a 18 anos.

            Quando foi questionada a respeito de qual o seu papel em relação ao diagnóstico do câncer, ou seja, em que momento ela se insere nessa fase, Ana Rita disse que sua atuação inicia-se, preferencialmente, desde o momento em que é cogitada a hipótese de que a criança tenha câncer. A partir desse momento, já se procura estabelecer um vínculo tanto com o paciente quanto com seu cuidador para que, caso a suspeita seja confirmada, já exista um contato prévio. Entretanto, esse acompanhamento depende da demanda que os membros da equipe estarão submetidos.

            Sobre os procedimentos que utiliza com as crianças, Ana Rita menciona o treino para punção – já que o tratamento exige muitas picadas para receber a quimioterapia e  realizar os exames de sangue. O treino envolve também o cuidador. Além disso, outros procedimentos utilizados são o de respiração profunda, o treino de movimentos com os braços para auxiliar o aparecimento da veia, tal como segurar uma moedinha imaginária na mão, a distração cognitiva que envolve respirar, cantar uma música conhecida ou pensar em algo positivo, algo que a criança goste de fazer. Isso faz com que o procedimento tenha menor duração, porque quando a criança está nervosa o sangue não flui para os braços – mesmo com o acesso venoso não sai sangue -  e isso faz com que sejam necessárias várias punções. Outro procedimento apontado pela psicóloga é o preparo para o mielograma – exame de coleta de líquor da medula.

            Sobre as intervenções, Ana Rita comenta que estas podem ser realizadas de forma individual ou em grupo, dependendo da disponibilidade. A maioria das intervenções ocorre na própria sala de espera, buscando sempre que alguma criança que já saiba como é o procedimento participe da orientação, o que faz com que elas compartilhem experiências. Ana Rita exemplifica: “se há quatro crianças novas que não sabem como é o procedimento de coleta de sangue, ensinamos todas de uma só vez, enquanto algumas que já estão familiarizadas com ele ficam como ajudantes”.

            Quanto ao atendimento psicoterápico individual, Ana Rita ressalta que sua ocorrência é algo raro na psicologia hospitalar. Nos casos em que ele se mostra necessário, ela diz que esse atendimento é realizado na própria sala de espera ou, quando preciso, em uma sala individual.

            Quanto aos materiais – pranchas, manuais – eles são utilizados para a orientação tanto dos pacientes como dos seus cuidadores. Tais materiais podem variar quanto às figuras e à linguagem empregada, conforme a idade do paciente, mas não quanto aos seus objetivos.

            No trabalho com o diagnóstico de câncer terminal, a psicóloga usa muito o relaxamento com visualização para controlar a dor da criança. Entretanto, Ana Rita não considera apropriado que um psicólogo que trabalhe em oncologia tenha de abordar a morte com todos os seus pacientes e, por isso, só aborda esse tema quando ele é trazido pelas próprias crianças. Nesses casos, o trabalho dá-se por meio da utilização de pranchas para contar histórias. Na verdade, o enfoque nesse contexto está no controle de estresse, e não na abordagem da morte em si. Ana Rita ainda ressalta que algumas mães não se desligam dos filhos, o que pode prejudicá-los. Então, a psicóloga procura conversar com essas mães quanto à necessidade do desligamento.

            Ana Rita relatou o caso de uma criança que tinha que amputar a perna ou morreria com muita dor. Seu pai, entretanto, não queria dar a autorização para a realização da cirurgia. Um dia, quando a psicóloga entrou no quarto, a garota de nove anos disse, feliz: “Tia!!!! Meu pai deixou os médicos tirarem a minha perna!!!”. Hoje, a menina tem 15 anos e está curada. Ana Rita ainda falou sobre o ambulatório de crianças curadas, no qual a cognição e os déficits cognitivos das mesmas são avaliados – prática comum no pós-tratamento – e trabalha-se para que elas tenham uma boa reabilitação.

            Ana Rita acredita que trabalhar em oncologia é trabalhar com a luta pela vida e não com a morte e, quando foi questionada a respeito de como se sente trabalhando nessa área, a psicóloga respondeu:

 

“Sempre que acompanho uma criança em fase terminal, penso que estou fazendo o que posso e, quando ela morre, respiro fundo e penso que tenho que acompanhar seus pais e que tenho mais trabalho com novas crianças. Assim, acho que consigo manter meu trabalho sem sofrer. Quando a criança está sofrendo muito, também uso a respiração profunda para controlar a minha própria ansiedade. Trabalho com pacientes com câncer há 15 anos, e o tempo facilita a adaptação. No inicio a gente se envolve mais; é normal... depois dessensibiliza. Dá pra desenvolver as habilidades necessárias; é treino. Sempre penso que estudei muito e que estou fazendo o melhor possível. Esse é o pensamento que mantenho. Já estou acostumada com meu trabalho. Adoro o que faço! As crianças e seus cuidadores são muito afetivos, e  isso é muito reforçador. É isso que mantém a nossa energia e vontade de atuar!”

  

 

Alunos do Estágio em Psicologia Social da FAC:

Este é um modelo de como relatar uma entrevista. Ele não deve ser escrito em forma de tópicos, e sim em um texto corrido. Não se esqueçam de não escrever na primeira pessoa (EU): ao invés de “Eu acho que ele está frustrado”, escrever “O idoso parece sentir-se frustrado”; ao invés de “Percebi que a casa não é adaptada”, escrever “Foi observado/constatado que a casa não é adaptada”. Se quiserem transcrever alguma fala literal do entrevistado, não se esqueçam de colocar entre aspas.

No caso da entrevista feita por vocês, lembrem-se de colocar apenas as iniciais do idoso entrevistado a fim de preservar a identidade dele. Além disso, lembrem-se de descrever detalhes importantes, como:

- características pessoais (idade, estado civil, quantidade de filhos, com quem mora, profissão, etc)

- como vocês chegaram ao idoso (vocês já conheciam? Como foi o contato para a entrevista?)

- quais as impressões pessoais que vocês tiveram do idoso, da casa, das relações, etc.

 

Bom trabalho!

Qualquer dúvida, escrevam para nós!

 

 

 

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